Conforme leitura do livro, estamos postando as nossas anotações:
Livro: O Bom Professor e sua Prática.
Autora: Maria Isabel da Cunha.
ORIGENS DO ESTUDO
Para que a autora evoluísse em sua prática pedagógica, buscou elementos na formação do professor que mais precisam aprofundamentos. Ela articula que a sala de aula é um lugar extremamente privilegiado, pois se realiza o ato pedagógico escolar. É onde ocorrem muitas contradições do contexto social em que cada indivíduo vive, os conflitos psicológicos, as questões da ciência e as percepções daqueles que fazem parte do ato pedagógico: o aluno e o professor.
A escola é um local contextualizado, a sua realidade e seus valores alteram conforme as condições histórico-sociais em que estão envolvidas. O ensino é estabelecido com alunos reais em situações determinadas. A principal motivação para a realização deste estudo foi o anseio de interrogar as certezas pedagógicas, as ideias pré-definidas, entre outras aspirações.
POR QUE O PROFESSOR?
Para Maria Isabel, o seu principal objetivo é estudar o professor na escola, centrado e condicionado por suas situações e condições histórico-sociais.
É imprescindível reconhecer que sem o professor não se faz escola, e é essencial aprofundar os estudos sobre este profissional. A escola é uma instituição que seu valor será imposto pela sociedade. É o reconhecimento do papel do professor que poderá beneficiar a intervenção no seu desempenho.
A escola atual é produto das influências positivistas sobre as práticas lá desenvolvidas, e o professor é o principal veiculador dessas práticas. Unir o ensino e a pesquisa expressa andar para que a educação seja integrada, envolvendo os estudantes e os professores.
O SIGNIFICADO DO COTIDIANO
O cotidiano do professor vem sendo estudado por vários autores, para com o resultado estimular o professor a participar da construção sócia da sua realidade, onde a necessidade sentida em estudar o cotidiano do professor vem da certeza que é uma forma de construir conhecimentos.
A QUESTÃO METODOLÓGICA
Cunha ( ), realizou um estudo com alunos e professores de segunda grau e universitários sobre o que é um bom professor, chegando a conclusão de que sua análise do discurso abriu muitas portas para aprofundar e compreender o ato pedagógico exercido pelo professor.
O BOM PROFESSOR PARA O ALUNO DE HOJE
Não há tradição em processos de avaliação de professores. Os professores de universidade costumam ser avaliados pelo seu referencial de carreira e não pela prática em sala de aula, portanto não há um "padrão ideal". A avaliação do bom professor está ligada a um contexto histórico social, se modificando conforme as necessidades dos seres humanos situados no tempo e no espaço.
A EXPECTATIVA E A IDEOLOGIA
Há uma expectativa nos resultados da relação aluno e professor em relação ao desempenho. O modelo de sociedade define o modelo de escola e a ideologia dominante, geralmente vinda da classe dominante.
Os professores participam de múltiplas interações sociais no dia a dia, mas precisam ajustar seu trabalho a realidade imediata da escola, perdendo a dimensão social mais ampla da sociedade.
CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS
O aluno aponta como bom professor, aquele do qual ele tem conhecimento de sua matéria, mas enfatiza aspectos afetivos.
A forma como o professor se relaciona com a sua própria área de conhecimento é fundamental, assim como sua percepção de ciência e de produção do conhecimento. A metodologia do professor que acredita na potencialidade do aluno e se preocupa com a aprendizagem e nível de satisfação é fundamental.
O aluno valoriza o professor exigente, que cobra participação e tarefas. Ele enxerga um bom professor aquele que domina o conteúdo, escolhe formas adequadas de apresentar a matéria e tem um bom relacionamento com o grupo.
QUEM É O BOM PROFESSOR
“O passado é lição para se meditar, não para reproduzir”.
Mário de Andrade
A HISTÓRIA DE VIDA
O dado que se repete com maior frequência é daqueles professores que reconhecem terem sido influenciados profissionalmente pela família. Alguns dos nossos entrevistados referiram-se a influências do grupo familiar mais amplo do que especialmente aos pais.
Todos referiram-se a “valores”. Dedicação ao trabalho, honestidade, coragem no enfrentamento da vida, responsabilidade, organização, disciplina, alegria de viver foram os principais aspectos de influência familiar sobre os nossos entrevistados.
O encaminhamento profissional parece principalmente um aspecto muito relacionado à trajetória de vida.
Todos se manifestaram no sentido de valorização da profissão que exercem, apesar de verbalizarem sua inconformidade em não serem reconhecidos dentro da politica educacional.
Há um elemento comum, porém, entre todos. Independentemente dos caminhos que os levaram ao magistério, todos foram unânimes em afirmar que gostam do que fazem, apreciam especialmente o contato com os alunos e se estimulam com as respostas deles. A interação com a matéria de ensino é também parte fundamental.
INFLUÊNCIAS PRINCIPAIS
Os elementos fornecidos pelos interlocutores apontaram quatro categorias de influência: o professor sujeito da pesquisa enquanto aluno e seus ex-professores, a sua experiência profissional, a sua formação pedagógica e a sua prática social mais ampla.
O que é importante, porém, é a constatação de que os atuais professores são bastante influenciados no seu comportamento pelos antigos e, certamente, poderão influenciar os que virão.
Os professores tendem a repetir práticas de pessoas que admiram.
VISÃO SOCIAL
Os professores estudados usam critérios diferentes para analisarem as questões da realidade educacional brasileira. A maior parte dos professores deixa clara a sua percepção da relação escola-sociedade. Para todos os entrevistados a escola como instituição, é um valor social. A não valorização social da educação é um descaso do governo para com a população ou uma estratégia de manutenção das desigualdades. A escola esta parada no tempo, continuando a funcionar sem perceber as mudanças sociais e tecnológicas do mundo a sua volta. Localizam muitos dos problemas no professor, em especial o descompromisso. O descaso com a educação da parte do governo, influi no comportamento do docente. Os professores universitários se queixam da crise que enfrenta o ensino superior, devido a falta de recursos. Os professores parecem encadear ideias que vão da vontade política do governo para a deficiência dos sistemas de ensino, e consequentemente, chegam ao comportamento docente e ao desempenho do aluno. A própria estrutura universitária que atomiza o ensino é vista como um entrave a iniciativa do aluno. Os professores com maior militância em partidos políticos e nas associações de classe apresentaram maior capacidade de refletir sobre as raízes das questões educacionais.
A PRÁTICA PEDAGÓGICA
A pratica pedagógica foi delimitada como sendo a descrição do cotidiano do professor na preparação e execução do seu ensino. Para isso o professor possui 3 referenciais:
-as relações que o professor estabelece com o “ser” e o “sentir” (prazer, entusiasmo, exigência, valores).
-as relações que estabelece com o “saber” (matéria de ensino, relação teoria e pratica a linguagem e a produção do conhecimento).
-as relações que estabelece com o “fazer” (planejamento, métodos objetivos, motivação do aluno e avaliação).
A relação professor aluno se da através da reciprocidade, pois o comportamento do professor influencia o comportamento do aluno e vice-versa. A produção do conhecimento é entendida como a atividade do professor que leva a ação, a reflexão critica, a curiosidade, ao questionamento exigente, a inquietação e a incerteza. É o oposto da transmissão do conhecimento pronto acabado. É a perspectiva de que ele possa ser criado e recriado pelos estudantes e pelos professores na sala de aula. Os professores entrevistados rejeitam a visão mecanicista da aprendizagem e verbalizam, de fora diferenciada, este valor. Alguns colocam ênfase no ambiente que estimula a produção intelectual do estudante, incentivando a pergunta e formas de pensamento divergente. Outros apontaram para o esforço em derrubar barreiras emocionais do aluno, para que ele possa produzir intelectualmente sem medo. E muitos dos professores entrevistados descreveram a sua pratica pedagógica ao planejamento, alguns afirmam que o planejamento é para eles muito necessário e se sentem bastante seguros quando desenvolvem de forma planejada o seu ensino.
DIFICULDADES ENFRENTADAS
Três pontos fortemente apontados são: a desvalorização do magistério, estrutura do ensino e condições de trabalho.
Além da questão salarial, as condições de trabalho influenciam de maneira negativa na concepção do pedagogo, assim como a pouca possibilidade de atualização dos docentes e a quase inviabilidade da realização de pesquisa e da extensão. A falta de coletividade também se encontra na lista, uma vez que isso torna inviável o delineamento de um projeto pedagógico mais amplo.
SOBRE A FORMAÇÃO DO PROFESSOR
Os pontos fundamentais apresentados são o “gostar de ensinar” e o “gostar de gente”, além do gosto pelo estudo para que faça domínio da matéria e ampliação da cultura; pois o domínio esta relaciona a pratica profissional fora da escola, o que favorece a exemplificação e o aluno a trabalhar com a realidade.
Aspectos morais e afetivos como, a honestidade no trato do conhecimento e dos alunos, o respeito à pessoa humana e a capacidade de relacionamento também foram apontados como importantes. É preciso que o futuro professor tenha consciência de seu papel na sociedade e que perceba que o exemplo é a principal forma de ensinar.
OS PROCEDIMENTOS
A maioria dos docentes repetem aquilo que consideravam positivo em seus ex-professores, como pude constatar a exposição oral é a técnica mais utilizada.
Em todos os casos observei a preocupação dos professores com o clima favorável no ambiente escolar e com a participação dos alunos.
AS HABILIDADES
As habilidades de um bom professor são:
- Explicitar “para os alunos o objetivo dos estudos que vão realizar.” (p; 137) para que estejam conscientes do objeto de sua própria aprendizagem , assim “estarão mais motivados se compreenderem porque o fazem” (p. 137); localizar historicamente o conteúdo; estabelecer relações do conteúdo com outras áreas do saber; apresentar ou escrever o roteiro da aula; formular perguntas, estabelecendo um diálogo com os alunos; reforçar positivamente os acertos e as dúvidas dos alunos; esforçar-se para tornar o seu discurso compreensível (esclarecer conceitos e explicitar sua fala); possuir profundo conhecimento da matéria que pretende ensinar, com exemplos cotidianos; circular pela sala, chamar o aluno pelo nome;
O CONTEXTO
“O que vale aprender são as situações escolares no seu conjunto, na sua relação com um contexto sociológico, localizado no tempo e no espaço.” (p. 149). Priorizando ao “prazer de aprender e a valorização do pensamento crítico” (p. 150)
CONCLUSÕES: DA PRÁTICA À TEORIA
O Autor explora a ideia de que o conceito de Bom Professor é valorativo e ideológico, ou seja, em relação a um tempo e lugar, representando a ideia que socialmente é constituída sobre o professor.
Ao investigar melhor sobre o assunto, descobriu conflitos que há entre o professor e o dever-ser, bem como a necessidade de construir o conceito da consciência mediana do professor em adaptar-se ao que lhe foi proposto ou recusar o papel que lhe é imposto. Parte ainda do princípio que o professor nasce inserido no seu cotidiano, no centro do acontecer histórico e embora a não valorização do mesmo, a sociedade mais ampla representada pelo aluno valoriza o docente.
O Autor define em várias formas quem é o BOM PROFESSOR partindo do contexto histórico que lhe é dado, em observação ao seu cotidiano. Na sua concepção o Bom Professor expressa seu valor, responde às necessidades do aluno. O BOM PROFESSOR reconhece as influências da família em relação aos valores (classe social, por exemplo). O BOM PROFESSOR constrói sua experiência, e se preciso, reformula sua prática de ensino, no ser e no agir.
O BOM PROFESSOR é capaz de analisar a realidade nacional, partindo dos pressupostos políticos, está sempre atento às dificuldades dos alunos, enfim, conclui o autor que, o BOM PROFESSOR relaciona-se com o ser, o sentir, o prazer de ensinar, a possibilidade de produzir conhecimento, pois ele é a principal fonte de conhecimento no contexto da sala de aula, ele é o incentivador do aluno.
Inúmeros, portanto, são os desafios do BOM PROFESSOR, por isso a importância de sua valorização. Ele é peça fundamental na aprendizagem, e por isso também deve sempre estar inovando seus conhecimentos, repensando sua formação através de cursos, pois sua influência deve pautar na sua própria condição e experiência.
Enfim, há uma relevante importância dos programas de formação e educação de professores que devem oferecer competência técnica e compromisso político a fim de que se operacionalize uma prática eficiente e comprometida às inquietações do ser humano.
Referência:
CUNHA, Maria Isabel da. O bom professor e sua prática. 18 ed. Campinas, SP: Papirus, 2006. p. 23-184.